Carmo Oliveira

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EM FOCUS Antevisão

Como vai ser o ano de 2012?

 

A Focus responde à questão que todos os portugueses colocam.

A psicologia, os astros, a criminologia, a economia e as organizações

não-governamentais antecipam dificuldades e revelam soluções

MARIA DO CARMO OLIVEIRA

Governantes e economistas são unânimes em afirmar: o ano de 2012 será de estagnação económica e aumento da taxa de desemprego. Mas a Focus quis saber como irão reagir os portugueses à soma de medidas de contenção e austeridade. Manterão o espírito solidário que os caracteriza em épocas de necessidade e urgência social? Sentir-se-ão seguros ao caminhar nas ruas face ao aumento da taxa de criminalidade? Irão continuar a emigrar ou procurarão soluções dentro do próprio País? Um economista, uma psicóloga, um especialista em criminologia, uma representante de uma ONGD e uma astróloga respondem a estas e outras questões. •

 

MARIA DO CARMO OLIVEIRA, psicóloga

O estado de espírito dos portugueses

Aos períodos de crise económica verificados ao longo da História correspondeu quase sempre uma perda de valores e de esperança no futuro. As manifestações sucedem-se, a criminalidade aumenta e o descontentamento é uma constante no dia- -a-dia das populações. A época atual não é exceção. Considerando todos estes fatores, Maria do Carmo Oliveira, diretora do Clube do Optimismo, em Lisboa, afirma que em 2012 a situação continuará a ter consequências relevantes na vida dos portugueses. A boa notícia, sublinha, “é que nem todas serão negativas”.

Na opinião da psicóloga, o “medo da crise” que se sente poderá fazer as pessoas reagir, tornando-as mais ativas e empreendedoras. Os hábitos de poupança que as famílias têm vindo a desenvolver são um sinal positivo para a especialista, que constata e aplaude esta alteração de mentalidades: “Nos últimos anos verificou-se, em Portugal, uma escalada do consumismo. Havia uma tendência acentuada na valorização do outro pelo ‘ter’. As pessoas tinham imensa necessidade de ter um carro caro, uma boa casa, serem vistos
nos restaurantes da moda, vestir roupas de marca … Quanto mais mostrava ter, mais valorizada a pessoa se sentia.” No entanto,
relembra, a tais manifestações de riqueza não terá correspondido uma melhoria no nível de felicidade dos portugueses, sendo
que o número de casos de depressão continuou a aumentar.

A necessidade de reduzir despesas deverá conduzir, sugere Maria do Carmo Oliveira, a uma desvalorização das aparências e do consumo: “As pessoas vão deixar de se preocupar tanto com o ‘ter’ para se concentrarem mais em ‘ser’, olhando para as qualidades de cada um e não para os seus bens materiais.” Numa frase, a especialista em otimismo considera: “Vamos dar mais valor ao ser feliz apesar das circunstâncias, redescobrindo o prazer nas coisas simples.”
Ainda assim, a psicóloga encara a incerteza e a angústia face ao futuro como normais, uma vez que as pessoas irão ter de abandonar as suas zonas de conforto.

Caso a taxa de desemprego suba (como se espera), Maria do Carmo Oliveira aconselha os portugueses a não cruzarem os braços e a encararem a situação como transitória. Como faz questão de sublinhar, uma atitude positiva é fundamental em todos os desempregados, para que possam efetuar boas entrevistas de emprego e impressionar os futuros contratadores: “Neste momento, as empresas também vivem um período difícil e, mais do que nunca, é importante para o patronato poder contar com colaboradores confiantes, motivados, que não desistem perante as adversidades, focando-se na procura de soluções”, afirma.

Apesar de positiva, Maria do Carmo Oliveira está consciente de que o período atual irá afetar os já tradicionalmente baixos níveis de otimismo dos portugueses. Esta realidade origina atitudes passivas e desmotivadas: “Quando temos esse tipo de postura achamos sempre que a nossa ação tem pouca importância no resultado final. Se não acreditarmos na nossa capacidade para superar as adversidades e se pensarmos que nada podemos fazer para alterar as circunstâncias, dificilmente assumiremos uma atitude pró-ativa na procura de soluções.” Otimismo parece assim ser o melhor antídoto para combater a crise. • I>

ANA CATARINA PEREIRA

Focus 637/2011